Descrição
A autora traz a trajetória histórica da personagem Heloisa narrada com outros personagens, tendo como ponto central as complicações decorrentes de uma gravidez ectópica. Este tipo de gravidez exige assistência médica imediata e diagnóstico preciso, pois trata de uma emergência de saúde.
As complicações com a gravidez ectópica podem levar à ruptura da Trompa de Falópio, trazendo riscos graves para a mulher e o feto. Além dos sintomas de dor intensa e outros complicadores, a mulher perde o desejo da maternidade, algo que, para muitas, está ligado à concepção de um novo ser, um filho. Essa perda tem um significado psicológico de luto. E lidar com o luto de filho não é algo fácil, principalmente para quem deseja ser mãe.
Em situações como essa, toda mistura de sentimentos pode resultar em reações como culpa, raiva, baixa autoestima, isolamento, ansiedade, depressão, e transtorno de estresse pós-traumático.
A culpa surge por não ter conseguido levar a gravidez até o fim, atravessando tanto os sintomas da dor física quanto os de dor psíquica, além dos riscos de vida da gestante. Essa culpa pode ser intensificada pela pressão social ou religiosa.
A raiva e a ansiedade vêm carregadas da frustração de não poder conceber de forma natural e da incerteza quanto ao futuro de novas gestações.
A baixa autoestima e o isolamento podem ocorrer pela falta de apoio social e psicológico, o que constitui para o agravamento da própria autoestima e por consequência, para o isolamento social.
A ansiedade e a depressão são manifestações recorrentes do luto, desencadeadas pela dor emocional da perda gestacional.
O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) pode surgir a partir das variáveis do procedimento cirúrgico, dos riscos e das dores envolvidas, afetando significativamente a saúde mental da mulher.
Para a superação da mulher que passa por gravidez ectópica, é necessário apoio social de diversos setores, como a família, os amigos e de profissionais de saúde. Muitos ainda não caracterizam luto aos casos de perda do feto nestas condições, ressignificando-o apenas em casos de aborto intrauterino. Contudo, esquecem que uma gravidez tubária carrega os mesmos sintomas físicos e emocionais, com o diferencial de um sofrimento potencialmente maior, devido a dores intensas, riscos de vida da gestante e perda do feto. Portanto, ambos os casos requerem atenção peculiar, indispensável às questões psicológicas, à saúde integral da mulher e ao respeito pelo tempo de cada uma no seu processo de superação.
O texto que a autora nos apresenta, evidencia a complexidade do corpo feminino em casos de gestação rara, nos quais a própria vida é colocada em risco diante das complicações existenciais. Por outro lado, revela-se também o gigantesco poder da mulher em buscar alternativas, encontrando força em experiências distintas, mesmo em casos tão raros como o aqui explicitado.
A autora contextualiza a superação do luto, no caso de gravidez ectópica, por meio de atividades sociais, de convivência e de trabalho.
Benedita Creuza de Andrade, a autora, apresenta sua história falando por crer e viver por sentimentos que apenas as mulheres que passaram por experiências como as narradas em seu texto, que por vezes se ocultam da sociedade e da saúde pública de forma geral.
Grata, amiga Creuza!
Isabel Francisca de Almeida
Psicóloga, atuante nos Direitos Humanos







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